Bahia Opinião
Rui insiste em comparar modelo de gestões, fragilizando Jerônimo e simulando candidatura ao governo
O ex-ministro Rui Costa (PT), por exemplo, é candidato ao Senado, mas se comporta como candidato a governador.
27/04/2026 08h13
Por: Karoliny Dias Fonte: Fernando Duarte / Bahia Notícias
Foto: Ulisses Dumas/ Divulgação

Apenas a Justiça Eleitoral acredita que a campanha não começou. Afinal, a pré-campanha tem os mesmos elementos, só não pedido explícito de votos. Nesse contexto, dá pra notar o tom que as candidaturas devem utilizar no período propriamente dito. E também observar as estratégias que os candidatos pretendem utilizar. O ex-ministro Rui Costa (PT), por exemplo, é candidato ao Senado, mas se comporta como candidato a governador e, ainda por cima, tem ponto focal em atacar a gestão de Salvador, sob a tutela de Bruno Reis (União), aliado e afilhado político de ACM Neto (União). 

Derrotado na disputa pela vaga de vice de Jerônimo Rodrigues (PT), Rui, em tese, passaria um tempo submerso. O "ruizismo" perdeu para a ascendência de Jaques Wagner, que defendia a permanência de Geraldo Jr. (MDB) na cadeira. A partir daí, a operação foi tentar conter eventuais tensões que foram criadas. Só que Rui, ao invés de silenciar temporariamente, partiu para uma posição de candidato - mas não ao Senado, como esperado. O ex-governador parece acreditar ser candidato ao Palácio de Ondina, fazendo frente a ACM Neto, enquanto nomes como Angelo Coronel (Republicanos) e João Roma (PL), adversários diretos ao Legislativa, não ganham a atenção do ex-ministro. 

Há um quê de soberba nisso. E também, ao que aparenta, um desejo reprimido de ser candidato ao governo mais uma vez. É certo que as duas últimas campanhas de Rui foram para governador, então talvez seja falta de prática para entender que a candidatura ao Senado não envolve embates diretos sobre modelos de gestão. Não que exista uma fórmula para uma campanha de senador, mas ela passaria ao longe de ser meramente crítica ao gerenciamento da prefeitura de Salvador, como o ex todo poderoso do governo federal tem insistido em fazer. Enquanto isso, Jerônimo segue, indiretamente, sendo fragilizado pelo comportamento do aliado. 

Rui é franco favorito a ser eleito ao Senado, segundo as pesquisas de intenção de voto (sempre descredibilizadas pelos aliados do PT). Porém, caso insista nessa perspectiva de candidatura ao Senado com comportamento de candidato ao governo, pode incorrer na classificação de "traidor". Essa pecha é cara no ambiente político - somada a dúvida que paira no ar de uma eventual substituição das candidaturas ao governo na Bahia e no Ceará, caso Luiz Inácio Lula da Silva enxergue chances de derrota nos dois estados. Por isso, os alertas permanecem ligados, já que, diferente de 2010 e 2018 nas últimas reeleições, o PT da Bahia chega sem o mesmo favoritismo de outrora. 

Do lado adversário, tanto ACM Neto quanto o entorno dele têm optado por não responder diretamente a Rui. Mesmo os "cães de guarda" da oposição, a exemplo de Bruno Reis, focam em rebater Jerônimo e o governo, e Rui fica falando para as paredes e para o eleitorado que já tende a votar nele. Jaques Wagner segue um caminho de jogar parado, pois percebe ser mais saudável e menos arriscado - e Rui, em alguns momentos, parece enxergá-lo como concorrente direto, quando, definitivamente, não é o caso. É a campanha de 2026 tomando cada vez mais forma. Ainda que a Justiça Eleitoral prefira fingir que não é esse o caso.