Quase cinco meses depois da indicação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o advogado-geral da União, Jorge Messias, será sabatinado na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado, nesta quarta-feira (29).
Por causa da resistência da oposição mais alinhada a Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o Planalto quer deixar de lado as articulações em bloco e colocar suas principais lideranças- senadores Jaques Wagner (PT-BA) e Randolfe Rodrigues (PT-AP) - para avançar com conversas individuais.
Nesta reta final, o ministro da SRI (Secretaria de Relações Institucionais), José Guimarães, não deve participar diretamente, apesar de manter conversas frequentes com a cúpula do Senado.
O ministro Wellington Dias (Desenvolvimento Social) vai deixar a Esplanada na próxima terça-feira (28), véspera da sabatina, para ajudar na votação de Messias no Senado. O senador e ex-ministro da Educação, Camilo Santana (PT-CE) também irá colaborar com os votos.
Senadores da oposição, como Rogério Marinho (PL-RN), Astronauta Marcos Pontes (PL-SP), Jorge Seif (PL-SC), Marcos Rogério (PL-RO) e Izalci Lucas (PL-DF) já estão mobilizados para evitar a aprovação da indicação feita pelo presidente Lula.
“Absolutamente nada contra a pessoa dele, mas tenho muito receio de que a atuação, que me parece militância ideológica, com direito à censura, perseguição e afronta aos valores da vida, do AGU se repita em uma eventual aprovação dele para ser ministro da Suprema Corte”, argumentou o senador Eduardo Girão (Novo-CE).
“Apesar de ter posição política contrária, eles (parlamentares de oposição) sabem que essa é uma prerrogativa exclusiva do presidente e a nossa é de avaliar”, disse à CNN, o presidente da CCJ, Otto Alencar (PSD-BA).
Para ser aprovado, Messias precisa de ao menos 41 votos. Aliados apostam em um placar entre 48 e 52 votos favoráveis. Já a oposição projeta que o indicado não alcançaria 35 votos.