Esporte Saudade
Feirense Kleber Vitória relembra Oscar Schmidt e destaca título sul-americano conquistado juntos pela Seleção Brasileira
Campeão sul-americano em 1977, Kleber Vitória destaca talento, disciplina e generosidade do “Mão Santa”, com quem dividiu quadra na Seleção Brasileira.
18/04/2026 16h45 Atualizada há 3 horas atrás
Por: Karoliny Dias Fonte: Boca de Forno News

Kleber Vitória - Foto: Boca de Forno News 

A morte do ex-jogador Oscar Schmidt, na última sexta-feira (17), gerou comoção entre fãs e antigos companheiros de quadra. Em entrevista ao programa Boca de Forno, o feirense Kleber Vitória, que atuou como pivô da Seleção Brasileira de Basquete, relembrou momentos marcantes ao lado do ídolo e destacou o legado deixado por ele no esporte.

Kleber contou que conviveu de perto com Oscar durante a campanha vitoriosa do Campeonato Sul-Americano de 1977, disputado em Guayaquil, no Equador. Segundo ele, além do talento inquestionável, o atleta era uma pessoa generosa e muito próxima dos colegas. “Era uma pessoa maravilhosa. Me chamava de ‘Baianinho’ de forma carinhosa. A convivência com ele foi a melhor possível”, afirmou.

Kleber Vitória - Foto: Boca de Forno News 

Entre as lembranças, o ex-jogador destacou um episódio que ilustra o lado humano do ídolo. Durante um período de concentração no Ibirapuera, em São Paulo, Kleber passou mal e recebeu ajuda imediata de Oscar. “Ele me pegou no horário de descanso dele, me levou para tomar glicose. Ainda brincou com a noiva, colocando ela no banco de trás para eu ir na frente. Era brincalhão, mas muito generoso”, recordou.

Conhecido pelo apelido de “Mão Santa”, Oscar Schmidt também era, segundo Kleber, um exemplo de disciplina. O ex-companheiro revelou que o sucesso nos arremessos vinha de uma rotina intensa de treinos. “Ele sempre dizia: ‘não sou mão santa, eu treino’. Fazia cerca de mil arremessos por dia, além dos treinos coletivos. Era dedicação total”, contou.

Kleber Vitória e colegas de seleção  - Foto: Arquivo Pessoal 

Kleber também relembrou os conselhos recebidos ao longo da carreira, inclusive fora das quadras. “Ele dizia: ‘se aparecer um real a mais, vá embora’. Era direto, ensinava que no esporte a gente precisa pensar na carreira, porque os clubes não têm apego”, relatou.

Os dois também se enfrentaram em clubes diferentes no basquete brasileiro. Kleber destacou que, mesmo com o brilho individual de Oscar, o trabalho coletivo fez a diferença em algumas partidas. “Ele fazia 50 pontos, mas nosso time era equilibrado. Todo mundo pontuava, e conseguimos vencer em algumas ocasiões”, explicou.

Foto: Arquivo Pessoal 

Além do reconhecimento no Brasil, o feirense ressaltou o prestígio internacional de Oscar Schmidt, especialmente na Itália, onde o jogador atuou por anos. “Ele era tratado como rei. Em alguns lugares, não pagava nada. Era muito querido, conhecido como o ‘Rei de Caserta’”, disse.

Emocionado, Kleber Vitória lamentou a morte do ex-companheiro e destacou a importância de sua trajetória. “Ele levou o nome do Brasil para o mundo. Não tenho palavras. Fico com muita saudade. Que Deus conforte a família”, concluiu.

Kleber Vitória - Foto: Arquivo Pessoal 

Oscar Schmidt é considerado um dos maiores jogadores da história do basquete mundial e um dos principais responsáveis pela popularização do esporte no Brasil.