Em um desabafo marcado pelo tom de “luta e resistência”, a deputada estadual Fabíola Mansur (sem partido) detalhou as motivações por trás de sua saída do Partido Socialista Brasileiro (PSB), anunciada nesta terça-feira (31). Muito além de uma simples troca de legenda, a parlamentar pontuou que o movimento é uma estratégia de sobrevivência em um cenário político que, segundo ela, impõe desafios severos a quem defende pautas identitárias.
“Para a gente defender pautas como saúde, educação pública e direitos humanos, a gente tem que tentar sobreviver”, afirmou Mansur.
Com 18 anos de atuação ininterrupta no PSB, a deputada rechaçou qualquer rótulo de instabilidade partidária, destacando que a decisão foi fruto de uma análise exaustiva do cenário eleitoral. “Ninguém pode dizer que eu fico mudando de partido. Fiz isso de forma muito madura. Eu resisti”.
Diálogos sem resultados
A parlamentar revelou que o diálogo com a presidência do partido, liderada por Lídice da Mata, estendeu-se até o último momento, mas que a necessidade de viabilizar uma eleição futura pesou na balança. Para Fabíola, o encerramento deste ciclo é um passo doloroso, porém necessário, para quem deseja “esperançar” com uma vitória nas urnas.
“A política às vezes é cruel. A gente precisa fazer análises de cenários para ver onde tem mais chance de eleição. Honestamente, às vezes a gente precisa fechar os olhos e seguir adiante”, confessou.
Mansur reforçou, ainda, que deixa a sigla com a consciência tranquila e o sentimento de dever cumprido. “Minha cabeça está erguida. Defendi e honrei o partido, mas agora precisamos evoluir para ter condições efetivas de disputa”.
Manutenção da base
Mesmo fora do PSB, a deputada fez questão de ressaltar que sua essência política permanece inalterada. Em sua despedida, ela evocou o legado do ex-governador Eduardo Campos e garantiu que o alinhamento com o projeto governista de Jerônimo Rodrigues (PT) e do presidente Lula (PT) segue intacto.
Ao encerrar o ciclo na legenda que a acolheu desde 2008, Fabíola Mansur sinaliza que sua “nova porta” será pautada pela busca de um espaço que ofereça a retaguarda necessária para que suas bandeiras não sejam engolidas pela logística eleitoral. “Meu nome é Luta e Resistência. Vou continuar na batalha”, concluiu.