O Centro Referencial de Pesquisa e Documentação de Santo Amaro da Purificação segue sendo um dos principais guardiões da memória histórica do município. Em entrevista à rádio Santo Amaro FM, o professor Raimundo Arthur, responsável pelo espaço, destacou a importância do acervo, o funcionamento e os desafios para manter viva a história local.
Criado em 2004, o centro nasceu com o propósito de preservar e valorizar a trajetória de Santo Amaro. Localizado na Avenida Viana Bandeira, nº 47, ao lado do Sindicelpa, o espaço está aberto à visitação de segunda a sexta-feira, das 8h às 12h e das 14h às 16h.
Segundo Raimundo Arthur, todo o acervo disponível foi construído a partir de doações da própria população. “Tudo que você vê aqui não foi comprado, foi doado pelo povo santamarense. Então não me pertence, pertence ao município, pertence ao povo”, afirmou.
O local abriga uma vasta coleção de itens históricos, incluindo peças dos séculos XVII e XVIII, documentos, jornais antigos, fotografias e objetos que retratam diferentes períodos da cidade. Entre os destaques estão materiais ligados aos antigos engenhos da região, máquinas fotográficas das décadas de 1950 a 1970 e equipamentos comerciais da mesma época.
Além disso, o espaço também preserva registros que conectam Santo Amaro a importantes fatos históricos, como a Guerra do Paraguai, a Revolta dos Malês e a Conjuração dos Alfaiates. De acordo com o professor, o município possui uma trajetória rica, com participação relevante na formação econômica e social do Brasil.
Outro ponto forte do centro são as exposições temáticas, voltadas principalmente para estudantes. A mais recente homenageia mulheres santamarenses que marcaram a história local, reunindo nomes históricos e contemporâneos. “É uma forma de chamar a atenção das crianças e jovens para o papel dessas mulheres na construção da nossa sociedade”, explicou.
Apesar da relevância cultural, a manutenção do espaço ainda enfrenta desafios. Raimundo Arthur destaca que o trabalho é feito de forma voluntária, com apoio pontual de amigos e da gestão municipal. Ele também agradeceu à Secretaria de Educação, que contribuiu para a permanência do centro no atual endereço “Não ganho nada financeiramente, mas é gratificante. A dificuldade a gente supera pela vontade de continuar esse trabalho”, disse.
Mesmo diante das limitações, o professor segue dedicado à missão de preservar a memória da cidade. Para ele, o centro é mais que um espaço físico: é um patrimônio coletivo que conta a história do povo de Santo Amaro.
A visitação é aberta ao público, e a recomendação é clara: quem ainda não conhece o espaço, deve aproveitar a oportunidade para mergulhar na história e cultura do município.
Com informações do repórter Gilliard José