Política Eleições 2026
Lula diz que vaga de vice está aberta para Alckmin, mas não o descarta no Senado
O petista também anunciou que uma das vagas ao Senado será disputada pela ministra Simone Tebet.
20/03/2026 10h46
Por: Karoliny Dias Fonte: Folhapress
Foto: Ricardo Stuckert / PR

O presidente Lula (PT) declarou, na noite desta quinta-feira (19), que a vaga de vice em sua candidatura à reeleição está aberta ao atual ocupante, Geraldo Alckmin (PSB), mas que caberá ao pessebista a escolha –se novamente ao Executivo ou se ao Senado. 

"Eu ficarei imensamente feliz de ter o Alckmin como vice outra vez", disse Lula no Sindicato dos Metalúrgicos ao anunciar a pré-candidatura de Fernando Haddad ao Governo de São Paulo. 

"Se ele [Alckmin] for meu vice, Haddad, eu fico tranquilo. Mas a gente precisa montar uma chapa de senador para disputar conosco, e eles [da direita] não têm senador para disputar conosco. Não sei se Geraldo vai ser candidato ao Senado, mas a vaga de vice está aberta para você", declarou Lula. 

O petista também anunciou que uma das vagas ao Senado será disputada pela ministra Simone Tebet (Planejamento), que mudará o domicílio eleitoral de Mato Grosso do Sul para São Paulo e trocará o MDB pelo PSB. 

"Sei que a Simone Tebet vai ser uma das candidatas a senadora aqui", afirmou Lula. 

O petista acrescentou que caberá a Alckmin a tarefa de discutir com Haddad qual a melhor opção para as eleições de 2026. 

Crítica ao BC

No evento, Lula também criticou o ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, ao associá-lo ao escândalo do Banco Master. Mais cedo, em uma agenda pela manhã, o presidente havia reclamado do corte de apenas 0,25 na taxa Selic –ele esperava uma redução maior. 

"Esse Banco Master, vira e mexe estão tentando empurrar nas costas do PT e do governo. Esse banco é ovo da serpente do Bolsonaro e do Roberto Campos. E nós não deixaremos pedra sobre pedra para apurar tudo que fizeram, esse rombo de 50 bilhões nesse país. Se a gente não tomar cuidado, Haddad, vão tentar dizer que somos nós", disse Lula. 

"Quem reconheceu o banco em setembro de 2019 foi o Roberto Campos, e todas as falcatruas foram feitas por ele. Nós temos que ir a fundo, e a bancada do PT tem que ter coragem de denunciar", acrescentou o petista. 

Para o anúncio de Haddad, o PT preparou um evento repleto de seus quadros, com deputados federais, estaduais, vereadores e petistas históricos, como o ex-ministro José Dirceu, além dos ministros Luiz Marinho (Trabalho), Camilo Santana (Educação), Paulo Teixeira (Desenvolvimento Agrário), Guilherme Boulos (Secretaria-Geral) e de Alckmin. 

Também estiveram no local Nadia Campeão, presidente nacional do PC do B; Beto Tripoli, presidente estadual do PV; e o deputado estadual Caio França, presidente estadual do PSB. Todos foram chamados ao palco para se juntar aos ministros. 

"Esse é o início de uma coligação ampla que a gente vai construir aqui em São Paulo", declarou Kiko Celeguim, deputado federal e presidente estadual do PT. 

Homenagem

Antes do evento de pré-campanha, Lula participou de uma homenagem a Pepe Mujica, presidente do Uruguai morto em 2025. Mujica recebeu o título de doutor honoris causa, in memoriam, da Universidade Federal do ABC, em São Bernardo do Campo. 

Lula leu uma carta enviada a ele por Mujica, no qual o uruguaio falou a favor da integração regional como "sonho bolivariano esquecido no tempo". O petista criticou os Estados Unidos, em momento marcado pela interferência do governo de Donald Trump em diferentes países do mundo, como Venezuela e Irã. "Não é possível que a gente não tenha consciência de que não são os outros que vão resolver nossos problemas", afirmou. 

Ele também citou o período de colonização portuguesa, marcado pela exploração do ouro, e disse que estrangeiros querem fazer o mesmo com as terras raras brasileiras. "Querem nos explorar e fazer o mesmo que faziam com o ouro." 

Ele chamou Mujica de irmão e companheiro e também teceu homenagens a sua companheira, a ex-vice-presidente do Uruguai Lucía Topolansky, que foi ao evento receber a homenagem em nome de Mujica.