O advogado de Daniel Vorcaro, José Luís de Oliveira Lima, conhecido como Juca, propôs ao ministro André Mendonça, que é o relator do caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF), um modelo novo de delação premiada.
Nesse formato, a delação seria feita em conjunto com a Polícia Federal (PF) e a Procuradoria-Geral da República (PGR).
O ministro André Mendonça reagiu de forma positiva à sugestão. O objetivo é criar um acordo que não possa ser contestado ou questionado no futuro.
O modelo é inédito em grandes delações feitas no Brasil, inclusive durante a Operação Lava Jato.
A PF e a PGR costumam disputar quem deve liderar as investigações, e essa rivalidade ainda é discutida no STF em um processo jurídico em andamento.
No caso Master, o desafio seria maior porque Daniel Vorcaro tem relações que envolvem vários partidos políticos. Isso exigiria um alinhamento muito cuidadoso entre a defesa dele, os dois órgãos (PF e PGR) e o ministro Mendonça, algo que ainda não existe.
O plano inicial de Vorcaro é delatar políticos e poupar Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, já que se acredita que o procurador-geral da República, Paulo Gonet, não aceitaria uma delação que atingisse o STF.
A relação entre Mendonça e Gonet ficou distante, depois da última etapa da operação, quando Mendonça chamou de "lamentável" o fato de Gonet não ter se pronunciado sobre a volta de Vorcaro à prisão.
Os dois também olham com preocupação para as ligações próximas do diretor-geral da Polícia Federal com o Palácio do Planalto.
Segundo a CNN, mesmo com todas essas dificuldades, quem conversou com o advogado de Vorcaro e com pessoas próximas a Mendonça depois do encontro entre eles avalia que pode ser apresentada uma delação premiada "séria", ou seja, algo que atinja quem cometeu irregularidades junto com Vorcaro.