Educação Estado de greve
Professores da rede municipal de Feira aprovam estado de greve e cobram cumprimento de acordo salarial
Categoria anuncia paralisação na próxima quarta-feira (18) e aguarda audiência com o governo municipal marcada para o dia 23 de março.
14/03/2026 10h06
Por: Karoliny Dias Fonte: Boca de Forno News
Foto: Divulgação / APLB Sindicato

Os trabalhadores e trabalhadoras da educação da rede municipal de Feira de Santana aprovaram estado de greve durante assembleia realizada nesta sexta-feira (13), na sede da APLB Sindicato. A decisão inclui também a realização de uma paralisação das atividades na próxima quarta-feira (18), com manifestação marcada para as 9h, em frente ao sindicato.

A assembleia reuniu professores da rede municipal para discutir a situação das negociações com o governo e as reivindicações da categoria. Antes do início do encontro, a supervisora técnica do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE-BA), Ana Georgina Dias, apresentou um levantamento sobre os recursos do Fundeb e as perdas salariais acumuladas pelos profissionais da educação no município.

Também participaram da atividade o diretor regional da APLB, Cristiano Rodrigues, e o vice-diretor regional, Paulo de Tarso.

Falta de avanço nas negociações

Durante a assembleia, a diretoria do sindicato informou à categoria sobre a audiência realizada na quinta-feira (12), no Centro de Estudos e Aperfeiçoamento Funcional (CEAF), entre representantes do governo municipal, do sindicato e professores da base. Segundo o relato apresentado, não houve avanço nas discussões relacionadas ao cumprimento da tabela salarial nem da pauta de reivindicações da categoria.

Inicialmente, uma nova reunião com a comissão de negociação havia sido marcada para o dia 26 de março, mas após cobrança da entidade sindical, a audiência foi antecipada para o dia 23 de março, às 16h, no CEAF.

Diante do impasse, os educadores aprovaram o estado de greve e a paralisação como forma de pressionar o governo municipal a avançar nas negociações.

Professores cobram cumprimento de acordo

De acordo com a diretora da APLB, Marlede Oliveira, a decisão da categoria foi motivada principalmente pelo descumprimento de acordos firmados anteriormente entre o município e os profissionais da educação.

Segundo ela, a categoria cobra o cumprimento de um acordo firmado no ano passado, com mediação do Ministério Público, que previa uma pauta com 14 pontos. “A categoria está cobrando do governo o acordo que foi assinado no ano passado. Era uma pauta com quatorze itens e apenas um foi cumprido até agora”, afirmou.

Marlede também criticou a falta de avanços nas negociações recentes e destacou que o principal problema está relacionado ao cumprimento da tabela salarial dos professores. “Aqui em Feira de Santana ocorre uma situação em que, quanto mais o professor estuda, mais ele é desvalorizado. Existem perdas que chegam a até 90% em alguns níveis da carreira”, disse. 
Foto: Divulgação / APLB Sindicato 

A dirigente sindical destacou ainda que o sindicato vem sendo acompanhado por técnicos do DIEESE, que realizam análises econômicas e financeiras para embasar as reivindicações da categoria.

Mobilização da categoria

Além da paralisação do dia 18, os professores aprovaram um plano de mobilização que inclui reuniões com a comunidade escolar ao longo da semana para explicar as reivindicações da categoria. Também estão previstas ações de divulgação, como circulação de carros de som, fixação de cartazes nas escolas e participação em espaços da imprensa.

Uma nova assembleia já está marcada para o dia 24 de março, às 14h. Na ocasião, a categoria deverá avaliar os resultados da audiência com o governo municipal, prevista para o dia anterior, e decidir os próximos passos do movimento. “A luta continua. Na quarta-feira vamos para as ruas demonstrar nossa insatisfação com o governo e cobrar soluções para a educação em Feira de Santana”, concluiu Marlede.