Membros do PT avaliam que a proposta dos Estados Unidos de equiparar as facções criminosas brasileiras a organizações terroristas é uma tentativa do presidente Donald Trump de interferir nas eleições presidenciais deste ano no Brasil. As informações são da CNN Brasil.
A proposta é rechaçada pelo PT e pelo governo Lula. O entendimento é de que o tema se trata de uma ofensiva de Trump de tentar projetar a direita na América Latina. Além do Brasil, Peru e Colômbia também têm eleições neste ano.
A conversa entre Trump e Lula na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em setembro do ano passado, deu algum alívio para o governo brasileiro. No entanto, a proposta de classificar grupos como PCC (Primeiro Comando da Capital) e CV (Comando Vermelho) como organizações terroristas fez com que o Palácio do Planalto voltasse a desconfiar das intenções da Casa Branca.
No domingo (8), o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, teve uma conversa com o secretário de Estado americano, Marco Rubio, sobre uma parceria para o combate ao crime organizado. Além disso, o tema deve ser um dos pontos discutidos na reunião entre Lula e Trump. Inicialmente, o encontro estava previsto para este mês, mas segue sem data definida. A justificativa para o adiamento é a guerra com o Irã.
A preocupação do governo brasileiro é que o debate seja usado politicamente pela oposição e acabe contaminando o diálogo diplomático entre Brasil e EUA. Em maio do ano passado, o senador Flávio Bolsonaro entregou a uma comitiva enviada pelo governo Trump um dossiê produzido pelas Secretarias de Segurança Pública do Rio de Janeiro e de São Paulo. O documento relaciona a atuação de facções criminosas brasileiras a práticas consideradas terroristas.
Durante a visita, representantes do governo dos EUA também se reuniram com técnicos do Ministério da Justiça e Segurança Pública. Na ocasião, foi informado à comitiva norte-americana que a legislação brasileira classifica essas organizações como grupos criminosos e não como organizações terroristas.