As fortes chuvas que atingem Cachoeira e diversos municípios baianos nos últimos dias têm provocado alagamentos, deslizamentos e transtornos em comunidades historicamente vulneráveis. Em entrevista ao programa Rádio Total, das rádios Paraguassu FM e Santo Amaro FM, e ao portal Boca de Forno News, a prefeita Eliana Gonzaga afirmou que o município está mobilizado desde a noite de segunda-feira, quando a situação se agravou na localidade de Três Riachos.
Segundo a gestora, a área dos Três Riachos voltou a ser afetada de forma intensa, repetindo um problema que, de acordo com ela, se arrasta há décadas sem uma solução definitiva. Ela se referia a forma e ao local em que as casas foram construídas que seriam impróprios. “Estamos desde o ano passado esse trabalho de alinhamento. Ali precisa de uma obra de macrodrenagem. Não é um serviço simples, exige equipe técnica especializada de engenharia e um investimento que o município não tem capacidade financeira para suportar sozinho uma obra dessa magnitude”, explicou.
A prefeita informou que já manteve contato com a Defesa Civil do Estado e com secretarias estaduais, além de buscar diálogo com o Governo Federal para viabilizar uma solução estrutural. Enquanto isso, a prefeitura atua com ações emergenciais integradas, envolvendo as secretarias de Saúde, Ordem Pública, Obras, Assistência Social e Vigilância Epidemiológica, além de agentes comunitários.
Entre as medidas adotadas estão a compra de produtos para famílias atingidas, distribuição de alimentação emergencial e cestas básicas, além de levantamentos técnicos nas áreas afetadas. Eliana destacou que equipes trabalharam até a madrugada nos pontos mais críticos, como Três Riachos e Lagoa Encantada, onde houve deslizamento de terra.
“Estamos buscando uma solução permanente e não provisória. Já adquirimos alguns produtos necessários para algumas famílias específicas e estamos levantando a questão de uma alimentação momentânea, buscando ainda atendimento de cestas básicas para aquelas famílias afetadas e que estão necessitando desse apoio nesse momento”, disse.
A mesma situação vivia a comunidade da Vila 25 de Junho. “Mas felizmente conseguimos conter com as ações que foram realizadas pelo município. Há mais ou menos três semanas fizemos um trabalho preventivo em toda a localidade. Fizemos também nos Três Riachos, mas a questão de lá é mais complicada e complexa por causa da geografia que é mais íngreme (Eliana se aprofunda no assunto mais abaixo)”.
Ajuda do Governo do Estado
Eliana Gonzaga confirmou ainda que está em diálogo com o governador Jerônimo Rodrigues, que colocou as secretarias estaduais e a Defesa Civil à disposição do município. A prefeitura estuda a possibilidade de decretar situação de emergência, diante dos danos registrados. Eventos como a Festa da Pechincha já foram suspensos, e a comemoração de 13 de março poderá ser cancelada, caso a situação exija. “Não faz sentido festejar enquanto parte da população está sofrendo”, afirmou.
Além de Três Riachos, a gestora citou ocorrências na Formiga, Lagoa Encantada, onde uma pequena ponte caiu, e outras áreas da sede do município, que passarão por vistoria técnica para definição das intervenções necessárias.
Cobrança de posicionamento de João Roma
Durante a entrevista, a prefeita fez referência direta ao ex-ministro João Roma, atual proprietário de uma fazenda situada na parte alta da região que influencia o escoamento das águas em Três Riachos. Segundo Eliana Gonzaga, informações apontam que intervenções realizadas na propriedade, como a abertura de uma vala, podem estar contribuindo para agravar o volume de água que desce em direção às residências da comunidade.
“Quando ele adquiriu a fazenda, adquiriu também a responsabilidade. Enquanto ser humano, proprietário e político, precisa ter um olhar sensível e buscar solução para esse problema. Segundo informações existe ali uma barragem onde um serviço teria sido realizado que abriu uma vala, que desemboca no fundo das casas dos Três Riachos, o que ocasiona o agravamento dessa situação”, declarou a prefeita.
Ela ressaltou que não atribui exclusivamente à fazenda a causa dos alagamentos, mas afirmou que a situação pode estar agravando um problema já existente e que precisa ser apurado com responsabilidade técnica. “Peço também a compreensão dos moradores que não joguem objetos no riacho. Retiramos dali colchoes, fogão, carcaça de geladeiras e outros objetos que obstruem a passagem da água. O riacho segue seu rumo e não podemos contrariar a natureza. Quando você a agride, ela automaticamente responde dessa forma que pode ocasionar uma tragedia”.
Descarte correto
A prefeita também alertou para a necessidade de conscientização da população quanto ao descarte irregular de lixo e móveis em riachos e canais. Segundo ela, foram retirados colchões, fogões e carcaças de geladeira que obstruíam a passagem da água, agravando os alagamentos, inclusive na região do Morumbi. “Não adianta o poder público fazer sua parte se uma parcela da comunidade insiste em descartar objetos de forma irregular”, pontuou.
Eliana pede ainda que as pessoas não descartem materiais de forma incorreta porque eles podem prejudicar. Como aconteceu na comunidade do Morumbi, onde houve uma obstrução na passagem da água e quando a equipe da Prefeitura foi averiguar eram dois colchões que impediam a água de passar.
“Não joguem objetos de qualquer forma. Procurem o setor público, a Secretaria de Ordem Pública e diga que tem um objeto para ser descartado. A pasta fará esse descarte da forma correta que não agravará a situação dos moradores e fazendo com que a comunidade sofra. Precisamos trabalhar de forma organizada, coletiva e consciente. Quem ver alguém fazendo isso, filme e jogue na rede social para inibir essa prática perigosa”, finaliza.
Estado de emergência decretado
Na tarde desta quarta-feira (4), a Prefeitura anunciou que estava decretando Estado de Emergência na cidade. Veja o decreto abaixo: