A articulação para a disputa de 2026 já começa a produzir movimentos estratégicos na Bahia. O pré-candidato ao governo do estado, ACM Neto (União Brasil), deve se reunir nas próximas semanas com o senador Flávio Bolsonaro (PL), que se coloca como pré-candidato à Presidência da República. A expectativa, segundo interlocutores, é que o encontro aconteça em até 15 dias.
A aproximação ganhou impulso após a divulgação de anotações feitas por Flávio durante reunião com dirigentes do PL. O documento, batizado de “situação nos Estados”, traz avaliações sobre cenários regionais e possíveis composições. No trecho referente à Bahia, o senador escreveu o nome de ACM Neto como postulante ao Palácio de Ondina, acompanhado da observação: “Conversar primeiro. Depois tratamos do palanque completo”. O próprio parlamentar confirmou a autoria dos registros.
Para a vaga ao Senado, o único nome citado nas anotações é o do ex-ministro João Roma (PL), que disputou o governo baiano em 2022 e segue ativo nas articulações do campo conservador no estado.
Apesar do gesto público de aproximação, o cenário é considerado delicado. Aliados de ACM Neto avaliam que uma vinculação direta ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) pode gerar desgaste, especialmente em Salvador, onde o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) obteve desempenho superior nas últimas eleições. Segundo a coluna de Milena Teixeira, do Metrópoles, integrantes do grupo do ex-prefeito pretendem apresentar a Flávio dados que indicam a baixa popularidade de Bolsonaro na capital baiana.
O histórico recente reforça a cautela. Em 2022, ACM Neto evitou declarar apoio na disputa presidencial, postura explorada pelo então adversário Jerônimo Rodrigues (PT), que utilizou o argumento do “tanto faz” para criticá-lo durante a campanha estadual.
Procurado, João Roma tratou a possível composição com naturalidade. “A anotação [de Flávio Bolsonaro] é autoexplicativa. Mas conversei com Flávio, ele está tranquilo em relação a Bahia. Vamos seguir alinhados. Ele já declarou em Porto Seguro, no dia 22 de dezembro, que estaria ao lado do candidato que estiver contra o PT”, afirmou.
Nos bastidores, a avaliação é de que a definição do palanque baiano terá peso estratégico na corrida presidencial, diante da relevância eleitoral do estado e do histórico favoritismo do PT no Nordeste.