Muitos teólogos falam sobre a possível relação entre Jesus, Maria Madalena e uma filha, às vezes usando as palavras "mulher" e "mulheres" e outras vezes a palavra "esposa". Jesus teve uma espiritualidade profunda, é natural que tenha amado muito e, numa época em que os homens costumavam casar e ter filhos, se tivessem uma mulher, um amor, um relacionamento sexual, algo que vai além de um amor apenas idealizado, e que os filhos não estivessem em conflito, também é natural que essa ideia passasse pela cabeça de alguém.
E se Jesus tivesse tido uma filha? Se Jesus tivesse casado? As respostas a essas perguntas variam e, para cada opinião existe uma argumentação, uma contra-argumentação, novos argumentos e novas contra-argumentações, e assim por diante.
As tradições teológicas que mais frequentemente se debruçam sobre a relação de Jesus com Maria Madalena são o judaísmo, a ortodoxia e o catolicismo, o protestantismo e o gnosticismo. O foco da discussão é quase sempre a relação de Jesus com Maria Madalena, se Jesus teve ou não cônjuge, se teve família, se ela apresentou ou não êxtase sexual com Jesus, e o papel das mulheres, em especial de Maria Madalena, na Igreja Primitiva e a sua possível outorga do Sacerdócio.
De acordo com a tradição liberal acredita-se que Jesus teve uma relação especial e íntima com Maria Madalena, outrora a viver em Éfeso. Um número crescente de teólogos e historiadores liberais propõe que Jesus teve uma relação conjugal com Maria Madalena. Autores e textos da tradição acadêmica, escrevendo de modo mais cauteloso, não excluem a possibilidade de uma relação sexual entre Maria Madalena e Jesus, além de considerarem a questão de uma eventual descendência deles.
A alegação é a de que Jesus teve uma filha com Maria Madalena. O suporte a essa suposição é escasso, mas a ausência de uma refutação convincente abre espaço para a especulação. A Igreja Católica Romana não admite a possibilidade de a relação entre Jesus e Maria Madalena ter sido sexual, mas uma interpretação liberal do Novo Testamento considera que Jesus não teria a Virgindade perpétua.
A maioria dos estudiosos, liberais e acadêmicos defende que um casamento ou uma descendência de Jesus esteja em desacordo com as declarações da teologia cristã. A suposta prole é considerada uma construção de escritores contemporâneos. O Evangelho de Felipe (século III), ao afirmar que "Jesus a amava mais do que os outros discípulos", é sempre interpretado como uma concessão à fantasia, mas nunca considerada uma expressão do cristianismo.
Se considerada verdadeira, a alegação que Jesus teve uma filha com Maria Madalena poderia ter diversas consequências para a fé cristã. As doutrinas sobre a natureza do Messias talvez não fossem afetadas, uma vez que um pai pode ser plenamente messias sem ter descendentes biológicos. A afirmativa também não se oporia à ideia de Jesus ter um papel de filho numa relação de comunhão com todos os seres humanos.
A suposta paternidade poderia ser lida como expressão da experiência de fé dos seguidores ou da experiência de Jesus, além de ser vista no sentido de um cuidado espiritual. No entanto, como, no contexto judaico, o Messias seria um descendente de Davi, é natural que a presença de uma linhagem de Jesus também seja debatida.
O tema da possível relação entre Jesus e Maria Madalena e a alegação de uma filha geram considerações para os teólogos que analisam essas questões. A investigação não tem o propósito de confirmar a afirmação, mas expor a discussão sem buscar um juízo final sobre a plausibilidade ou a validade da ideia, que não se encontra nos Evangelhos canônicos, em fontes nos quais igrejas da tradição judaica ou cristã reconhecem como inspirados, mas que é debatida por acadêmicos e, principalmente, por ficcionistas.
As fontes sobre o assunto incluem os Evangelhos canônicos, os apócrifos, a literatura dos primeiros tempos do cristianismo e obras de historiadores contemporâneos. Agora, a evidência é examinada. Os critérios são usualmente a datação, a antiga paternidade ou maternidade, o contexto da composição e a harmonia com dados de outras fontes da mesma ou de outras épocas. Essa avaliação é o que possibilita substanciar ou desqualificar uma alegação, ao passo que a ausência de um desses aspectos favorece o rechaço.
Por Alberto Peixoto