As anotações do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) durante reuniões na sede do PL, que foram deixadas em um sala após os encontros e fotografada pela imprensa, revelam o plano do partido para o pleito de outubro e entraves em alguns estados.
Em Minas Gerais, por exemplo, o vice-governador, Mateus Simões (PSD), candidato escolhido por Romeu Zema (Novo) como seu sucessor e apoiado pelo deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), é descrito como um nome que “puxa para baixo” o projeto presidencial do grupo.
Outra movimentação é tentar colocar o presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo, André do Prado (PL), no lugar de Felício Ramuth (PSD), atual vice de Tarcísio de Freitas (Republicanos). Neste trecho, o senador anotou: “ligar Tarcísio”.
O nome de Ramuth tem ao lado o símbolo de cifrão ($). O vice de Tarcísio é investigado em Andorra, país europeu entre a França e a Espanha, sob a suspeita de lavagem de dinheiro. Ramuth afirma que os valores são lícitos e declarados à Receita Federal no Brasil.
O ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) está no documento na lista de cotados ao Senado, identificado pela sigla “EB”. Ao lado do nome do deputado Marcos Pollon (PL-MS), está registrado: “pediu 15 mi p/ não ser candidato”, o que foi negado pelo parlamentar.
Na Bahia, ao lado do nome do ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União Brasil) tem uma anotação feita à mão ao lado: “Conversar 1º / depois tratamos do palanque completo”. No Ceará está o nome de Ciro Gomes (PSDB) ao governo estadual e traz a indicação “PL na chapa”.
Em Maceió, o prefeito, João Henrique Caldas, o JHC (PL), é cotado ao Senado ou ao governo de Alagoas. Flávio coloca prazo para uma conversa: 15 de março. Outra opção ao governo é o deputado Alfredo Gaspar (União Brasil-AL) com a anotação: “Único que pedirá voto p/ mim”. Marina Cândia, mulher de JHC, aparece como nome do Senado. E consta uma interrogação no nome do ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL), pré-candidato ao Senado.
No Piauí, o documento não indica candidato próprio ao governo. Para o Senado, tem o presidente do PP, Ciro Nogueira, e o dirigente local do PL, Tiago Junqueira. No Rio Grande do Sul, tem um cenário mais definido com o deputado Luciano Zucco (PL-RJ) ao governo e os deputados Sanderson (PL-RS) e Marcel van Hattem (Novo) ao Senado.
Flávio ressaltou que os registros não expressam necessariamente a sua posição pessoal. Segundo o senador, as anotações refletem “sugestões” recebidas ao longo das reuniões. As informações são de O Globo.