A presidente da APLB Sindicato em Feira de Santana, Marlede Oliveira, afirmou nesta terça-feira (24) que a categoria pode deflagrar greve caso a Prefeitura não apresente respostas concretas às reivindicações dos trabalhadores da educação. A declaração foi feita durante mobilização realizada na sede da Secretaria Municipal de Educação (SEDUC).
Segundo a dirigente, professores e funcionários da rede municipal ocuparam o prédio desde a manhã, aguardando uma reunião com o secretário de Educação, o vice-prefeito Pablo Roberto, que não compareceu. Ainda conforme Marlede, a secretaria informou que deverá agendar uma audiência para tratar das demandas.
A presidente destacou que a categoria cobra o cumprimento de uma pauta com 14 itens, discutida junto ao Judiciário e homologada em 18 de agosto, com validação também pelo Tribunal de Justiça da Bahia. De acordo com ela, apenas um ponto foi efetivamente atendido até o momento: a alteração da carga horária dos professores.
Entre as principais reivindicações está o cumprimento integral da tabela salarial do magistério, prevista em lei desde 1994, que estabelece níveis e referências conforme a titulação dos profissionais. Marlede afirma que, desde 2022, quando Colbert Martins ainda era o prefeito, a tabela não vem sendo respeitada. Ela alega que houve reajuste apenas para uma referência específica, o que teria provocado um achatamento salarial que chega a até 60% entre os níveis da carreira.
A dirigente sindical também questionou a aplicação dos recursos do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb). Segundo ela, no ano passado, Feira de Santana recebeu mais de R$ 500 milhões do fundo, mas, ainda assim, não estaria cumprindo a tabela salarial.
Marlede comparou a remuneração paga em Feira com a de municípios vizinhos, como Santa Bárbara, Coração de Maria e Santo Estêvão, afirmando que a cidade paga o pior salário da região, mesmo tendo maior arrecadação e crescimento econômico.
Além da questão salarial, a APLB aponta problemas como falta de professores e cuidadores nas unidades escolares e critica o que classifica como processo de privatização da educação municipal.
A categoria convocou assembleia para a próxima quinta-feira (26), às 9h, em frente à sede da APLB Sindicato, onde serão discutidos os rumos do mov. “A valorização começa pelo salário. O trabalhador precisa sobreviver, pagar aluguel e manter sua família. Temos leis que garantem nossos direitos, mas o governo municipal não cumpre os acordos firmados”, afirmou Marlede.
Durante a Jornada Pedagógica, segundo a sindicalista, o secretário municipal de Educação, Pablo Roberto, teria garantido que a tabela salarial seria cumprida a partir de novembro, o que, de acordo com ela, ainda não ocorreu.
Ao final da mobilização desta terça-feira, os trabalhadores desocuparam a sede da SEDUC e aguardam posicionamento oficial da Prefeitura de Feira de Santana sobre as reivindicações apresentadas.