O aumento abusivo dos valores do Planserv na Bahia gera perdas substanciais nos salários dos Servidores. Da mesma forma, os atrasos nos pagamentos feitos a médicos, clínicas, laboratórios e hospitais credenciados acabam prejudicando a qualidade do atendimento oferecido aos usuários.
Os efeitos podem ser vistos no dia a dia das pessoas, que muitas vezes têm dificuldade em conseguir um atendimento rápido. Geralmente só conseguem marcar uma consulta para mais de sessenta dias depois, o que causa um grande problema para quem precisa de cuidados urgentes. Imagine, por exemplo, um paciente com problemas cardíacos graves!
O conceito de aumento abusivo pode ser definido de forma simples: um reajuste superior ao ganho real das trabalhadoras e trabalhadores, levando a perdas salariais. Esses aumentos geram efeitos negativos na saúde e no atendimento da população, assim como comprometem a própria sustentabilidade do sistema.
Todo esse contexto exige que as soluções, além de desejadas, sejam também factíveis e que proponham o reequilíbrio da relação entre o que se paga pelo plano e o que se recebe em termos de atendimento.
A redução da oferta de serviços como resultado da combinação entre aumentos abusivos do Planserv e do sucateamento promovido pela falta de investimento traz graves consequências, sobretudo nos procedimentos emergenciais. Na Bahia, as estatísticas mais recentes indicam que a oferta de serviços médicos credenciados pelo Planserv vêm em queda, especialmente nas regiões do interior do Estado.
As condições de atendimento variam bastante entre as diferentes instituições que oferecem serviços de saúde e o Planserv, principalmente por causa da falta de investimentos mais significativos por parte do governo nas prestadoras de serviços.
Em diversas áreas, os serviços oferecidos por instituições parceiras do Planserv muitas vezes não atendem às expectativas dos usuários, deixando a desejar em qualidade e atenção. Muitos servidores estariam dispostos a arcar com as despesas de saúde por meio de outra operadora ou por conta própria.
É necessário buscar um equilíbrio nas perdas salariais dos servidores e que os aumentos do Planserv sejam justos e compatíveis com a realidade. O deficit no atendimento médico, com disponibilidades abaixo do ideal, precisa ser considerado, assim como a quantidade de médicos e de serviços ofertados nas diferentes regiões da Bahia.
A remuneração dos prestadores deve ser revista, buscando aumentos que tornem os contratos mais atraentes e viabilizem a melhoria das condições de trabalho, da disponibilidade de serviços e da qualidade do atendimento. A boa governança do sistema, com transparência, controle e acompanhamento, é essencial em qualquer situação, mas adquire um grau de importância ainda maior num cenário de continuidade dos aumentos desproporcionais.
Por Alberto Peixoto