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Quaresma começou na Quarta-Feira de Cinzas; Saiba o que o fiel deve fazer nesse tempo de reflexão
Dom Itamar Vian explica o significado dos 40 dias de preparação para a Páscoa e reforça a prática da oração, jejum e esmola.
19/02/2026 09h31 Atualizada há 4 horas
Por: Karoliny Dias Fonte: Boca de Forno News
Dom Itamar Vian - Foto: Arquidiocese de Feira de Santana

Teve início nesta Quarta-Feira de Cinzas (18) o período da Quaresma, tempo litúrgico de 40 dias que antecede a Páscoa, principal celebração do calendário cristão. Em entrevista ao site Boca de Forno News, o Arcebispo Emérito de Feira de Santana, Dom Itamar Vian, explicou a origem e o significado dessa tradição da Igreja Católica.

Segundo Dom Itamar, a palavra “Quaresma” tem origem no número quarenta, que na Bíblia possui forte simbolismo. “O número quarenta representa um longo período de preparação para um grande acontecimento. Para a Igreja, esses quarenta dias são vividos como preparação para o maior acontecimento da história da humanidade, que é a ressurreição de Jesus”, destacou.

A Páscoa, explicou ainda o arcebispo emérito, celebra a passagem da morte para a vida, fundamento central da fé cristã. “É o momento em que recordamos a vitória de Cristo sobre a morte. Por isso, a Quaresma é um tempo de preparação espiritual intensa.”

Por que 40 dias?

O primeiro a viver uma Quaresma foi Jesus porque passou 40 dias no deserto. Lá, Ele rezou, jejuou e venceu a tentação, para preparar a nossa salvação na cruz. Também o povo de Israel passou 40 anos sofrendo no deserto antes de chegar à Terra Prometida.

O arcebispo também ressaltou que a Bíblia utiliza números de forma simbólica. “Quando se fala em perdoar setenta vezes sete, não é um número literal, mas significa perdoar sempre. O número doze também simboliza plenitude. Assim, cada número carrega um significado espiritual”.

O que o fiel deve fazer na Quaresma?

Durante os 40 dias, a Igreja recomenda três práticas fundamentais: oração, jejum e esmola. “A oração é o diálogo com Deus, é a forma de nos comunicarmos com Ele. A esmola é a prática da caridade, da solidariedade com os necessitados. E o jejum representa a renúncia, privar-se de algo para exercitar a disciplina e ajudar quem precisa”, explicou Dom Itamar.

Neste ano, ele destacou ainda o pedido do Papa Leão XIV para que os fiéis ampliem o sentido do jejum. Além da abstinência de alimentos ou bebidas, o pontífice orienta que os cristãos pratiquem o chamado “jejum da língua”, evitando fofocas, julgamentos e a disseminação de fake news.