Agonorexia é o nome dado à anorexia induzida por medicamentos, um fenômeno observado em pessoas que utilizam remédios análogos de GLP-1, como Wegovy e Mounjaro, popularmente conhecidos como “canetas emagrecedoras”. Ele ainda não é reconhecido como um diagnóstico formal, mas tem ajudado a caracterizar um comportamento cada vez mais comum conforme cresce o número de usuários dos medicamentos.
O termo começou a circular nos Estados Unidos, e vem sendo usado no Brasil pelo professor e endocrinologista Clayton Macedo, diretor da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (Sbem). Em entrevista ao Jornal O Globo, ele explicou o que o medicamento faz com o organismo, e por que ele está sendo associado a quadros de anorexia.
"É quando o medicamento ultrapassa a fronteira de modular o apetite e a saciedade, e a pessoa entra num quadro como se fosse uma anorexia farmacológica. Ela não sente nenhuma fome, se esquece de comer e cria uma aversão a comida. Muitas vezes exagera nas atividades físicas e se isola socialmente, deixando de ir a eventos que vão a expor a comidas, por exemplo. É uma combinação de várias situações", explica.
Ele afirma que o uso do medicamento é positivo para pacientes com obesidade, já que os estudos que avaliaram sua segurança foram realizados com voluntários que tinham essa condição. E ainda assim, o uso deve ser feito com indicação adequada e acompanhamento médico.
No entanto, se o quadro começa a se aproximar do que seria a chamada “agonorexia”, especialmente quando a pessoa não possui indicação clínica para o uso, diversos riscos à saúde podem surgir. Entre eles estão perda muscular acentuada, desnutrição, desidratação, fadiga e queda da imunidade.