A Jornada Pedagógica 2026 de Santo Amaro da Purificação teve início nesta quinta-feira (5), no antigo Centro Educacional Teodoro Sampaio. O evento, que segue até esta sexta-feira (6), reúne educadores da rede municipal com o tema “Alfabetização para a vida: leitura e escrita em práticas cotidianas e inclusivas”, promovendo reflexões e debates sobre o fortalecimento do ensino e da inclusão no processo educacional.
O prefeito da cidade, Flaviano Bomfim, ressaltou que a Jornada é o pontapé inicial para o ano letivo no município. De acordo com o gestor, o foco principal é a alfabetização e o ensino inclusivo. “Estamos com a casa cheia. Professores nomeados, efetivos e contratados estão presentes para que possamos, em 2026, realizar um trabalho pedagógico de excelência, valorizando os professores e estimulando os alunos na prática da leitura e da alfabetização”, afirmou.
Flaviano salientou ainda que já iniciaram as conversas para o pagamento do piso salarial da educação, compromisso assumido por ele, e que o reajuste salarial já foi concedido como forma de valorização desses profissionais tão importantes para a área. “Estamos também qualificando as unidades escolares. Teremos ar-condicionado em todas as salas, para que sejam espaços de conforto para professores e estudantes. Merenda escolar de qualidade para atrair o aluno e mantê-lo na escola, porque muitos deles frequentam a unidade por isso. Além disso, estamos ofertando transporte escolar de qualidade em cada canto da cidade”, garantiu.
Na zona rural, o prefeito tem visitado as unidades escolares para verificar a situação estrutural. “Estamos buscando eliminar o aspecto de abandono e deterioração. Estamos valorizando os espaços para termos uma educação melhor em nossa cidade”, completou.
Para a secretária de Educação do município e primeira-dama, Marília Rocha, a Jornada marca o início de um novo ano letivo e de um novo planejamento, aliado ao trabalho construído em 2025 e à consolidação de novas parcerias. “Sabemos da realidade do nosso estado, com índices baixíssimos de crianças alfabetizadas, e precisamos, em cada município, desenvolver um trabalho voltado para isso, alfabetizando e incluindo todas as nossas crianças. Esse é o nosso foco em 2026: aumentar o índice de alfabetização”, destacou.
Marília ressaltou ainda a importância de levar temas diversos para a sala de aula, promovendo conhecimento e orientando crianças e adolescentes para caminhos mais conscientes. “Por isso, estamos firmando uma parceria formativa com o Jornal A Tarde para os nossos professores, que tenho certeza de que será um grande sucesso, intensificando a leitura em sala de aula por meio dos jornais. Estamos buscando ferramentas para desenhar um novo caminho para as crianças de Santo Amaro”, explicou.
Outra parceria destacada é com a ONG Plan International, motivada pelos números alarmantes de gravidez na adolescência e pela pauta da dignidade menstrual. “A entidade possui diversos projetos que iremos conhecer ao longo do tempo em nossas unidades escolares”, acrescentou.
Elaine Amazona, representante da Plan International, organização não governamental presente em 70 países, inclusive no Brasil, explicou que, em Santo Amaro, estão sendo iniciadas as atividades do projeto “Escola de Liderança para Meninas”. “O projeto visa trabalhar temas como saúde, dignidade menstrual e direitos sexuais e reprodutivos de adolescentes, com o objetivo de reduzir os índices de gravidez na adolescência, combater o tabu da menstruação e garantir que nossas meninas cresçam livres, seguras e respeitadas”, afirmou.
Segundo Elaine, a atuação da entidade não se restringe às meninas, mas também envolve os meninos, por meio de oficinas formativas, cursos e diálogos com profissionais da educação, saúde e assistência social. “Buscamos contribuir para que Santo Amaro seja um município seguro para todas as crianças e adolescentes. No Brasil, a cada hora, quatro crianças sofrem abuso ou exploração sexual. Somos o sexto país no mundo em casamento infantil, o que significa que crianças e adolescentes abaixo dos 16 anos vivem em situação conjugal”, alertou.
Ela destacou ainda dados da última pesquisa do IBGE, que identificou 34 mil meninas entre 10 e 14 anos casadas. “São meninas que deixam de estudar, iniciam a vida sexual precocemente e engravidam, colocando suas vidas em risco, pois seus corpos não estão preparados para a gestação, podendo levar à morte. Muitas dessas gravidezes são decorrentes de estupro de vulnerável, conforme prevê a legislação brasileira. Como sociedade, precisamos enfrentar essas questões para que nossas meninas sejam respeitadas e educadas sobre sua sexualidade”, concluiu.
Com informações do repórter Gilliard José