Educação Antonio Cardoso
Afeto que ensina: Jornada Pedagógica provoca reflexões sobre aprendizagem e inclusão
 A Jornada  debateu o afeto como prática educativa em Antônio Cardoso
04/02/2026 13h59 Atualizada há 3 horas
Por: Karoliny Dias Fonte: Assessoria

 

Participaram da jornada professores e professoras de toda rede municipal - Foto: Divulgação 

“Não existe educação neutra. Ensinar e aprender são atos políticos.” A ideia de Paulo Freire sobre o educar associou-se à proposta e reflexões da Jornada Pedagógica 2026, realizada nesta segunda-feira (3), em Antônio Cardoso. O encontro reuniu professores da rede municipal para discutir um tema urgente: o papel do afeto no ensino e na aprendizagem.

A proposta partiu de um reconhecimento coletivo. As dificuldades enfrentadas pela educação não são exclusivas do município. Elas atravessam escolas de toda a Bahia e do país. Diante disso, a jornada trouxe para o centro do debate a Pedagogia do Afeto, como forma de questionar práticas antigas que pouco dialogam com as realidades atuais da sala de aula.

A palestra “A dinâmica do afeto no ensino e aprendizagem”, conduzida por Amália Leal e Neilson Lopes, provocou os educadores a repensarem posturas, relações e escolhas pedagógicas. Mais do que falar de conteúdo, o encontro tratou de gente. De diferenças, de diversidade, de inclusão, de equidade e de convivência.

Amália Leal, assistente social, enfatizou a importância da escola Inclusiva e com equidade - Foto: Divulgação 

“O afeto não é algo secundário. Ele estrutura as relações e interfere diretamente na forma como o estudante aprende e se reconhece na escola”, destacou Amália Leal, ao enfatizar que a pedagogia precisa acolher sem invalidar, escutar sem julgar e reconhecer o outro em sua singularidade.

O psicólogo Neilson Lopes destacou a necessidade de pensar a Pedagogia do Afeto como indispensável  para uma aprendizagem significativa - Foto: Divulgação 

Ao longo da discussão, os palestrantes reforçaram que o afeto não pode ficar restrito ao discurso. Ele precisa aparecer nas atitudes. Na forma de olhar, de falar, de corrigir, de conduzir conflitos e de lidar com as diferenças que atravessam o cotidiano escolar. “Estamos falando de uma pedagogia que não prejudica, que não exclui e que não silencia. Uma pedagogia que desenvolve e que assiste, sem tratar o professor como um super-herói, mas como alguém que cresce junto com sua turma”, pontuou o psicólogo Neilson Lopes.

As reflexões dialogaram com pensadores como Henri Wallon, ao tratar da afetividade como base do desenvolvimento humano; Vygotsky, ao compreender a aprendizagem como processo social; Piaget, ao reconhecer o estudante como sujeito ativo; e Paulo Freire, ao defender uma educação construída no diálogo e na consciência crítica.

Outro ponto sensível abordado foi o adoecimento do sistema educacional nos últimos tempos. Para os palestrantes, cuidar da escola passa, necessariamente, por cuidar de quem ensina. Isso não significa abrir mão da técnica ou da organização do sistema, mas reconhecer que nenhuma metodologia funciona sem relações humanas saudáveis.

Além de dar as boas vindas, o prefeito Jocivaldo dos Anjos, frisou a necessidade de uma escola plural e baseada no afeto - Foto: Divulgação 

Na abertura da jornada, o prefeito Jocivaldo dos Anjos deu as boas-vindas aos educadores e falou sobre a entrega necessária quem escolhe estar em sala de aula. “Educar é um ato de dedicação e de abdicação. O professor tem um papel decisivo na vida dos estudantes e no futuro da nossa educação”, afirmou.

A Secretária de Educação, Renata  Silva de Souza, frisou que a aprendizagem com afeto é vida - Foto: Divulgação 

A secretária de Educação, Renata Silva de Souza, também destacou a importância da temática. “Falar de afeto é falar de aprendizagem, de permanência e de inclusão. Essa jornada convida cada professor e professora a se repensar enquanto educador e enquanto sujeito”, disse.

Ao final, a Jornada Pedagógica deixou uma mensagem clara: pensar educação hoje exige revisitar práticas, reconhecer limites e fortalecer vínculos. A Pedagogia do Afeto não anula a técnica, mas a atravessa. Não idealiza o professor, mas o humaniza. E lembra que, antes de qualquer conteúdo, existe gente aprendendo — e gente ensinando.