O governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues, abriu nesta quarta-feira (28), em Feira de Santana, a 3ª Conferência Estadual de Desenvolvimento Rural Sustentável e Solidário (CEDRSS). Realizado no Centro de Convenções, o evento reúne representantes do poder público e da sociedade civil até o dia 30 de janeiro para debater propostas voltadas ao fortalecimento das políticas públicas para os povos do campo, das águas e das florestas com o tema “Brasil Rural: Raiz da Vida, Fonte do Bem Viver”. O objetivo é o de construir um Documento Final que irá orientar as políticas públicas do Estado e subsidiar a etapa nacional do processo, prevista para março de 2026.
A programação da conferência inclui painéis, rodas de diálogo e oficinas temáticas organizadas a partir de cinco eixos centrais: o papel do Brasil rural frente à emergência climática e às crises globais; as transformações agroecológicas dos sistemas alimentares; a democratização do acesso ao território, à terra e à água; os direitos sociais e o bem viver; e o fortalecimento do Estado, da participação social e das políticas públicas para o rural.
O governador Jerônimo Rodrigues destacou o caráter simbólico do encontro e a trajetória histórica de valorização do campo na Bahia. Em seu discurso, o governador lembrou que, há cerca de 20 anos, conceitos como agricultura familiar ainda eram pouco reconhecidos e, muitas vezes, desvalorizados nas políticas públicas.
Segundo Jerônimo, o cenário mudou a partir de um processo contínuo de luta e organização social, protagonizado por agricultores, sindicatos, cooperativas e movimentos do campo, com apoio decisivo dos governos estaduais ao longo das últimas duas décadas. Ele citou os governos de Jaques Wagner e Rui Costa como fundamentais para a construção de um ambiente institucional favorável, que agora entra em fase de consolidação e amadurecimento.
O governador destacou que a agricultura familiar hoje é responsável por garantir alimento na mesa da população, trabalho e dignidade para milhares de famílias, deixando de ser vista apenas como subsistência. Para Jerônimo, a conferência representa um momento de balanço, mas também de mobilização e resistência, reforçando a necessidade de manter a luta por direitos e políticas públicas para o campo.
“É uma alegria muito grande voltar a Feira de Santana em uma agenda tão especial. Espero que esses dias sejam de muita produção, reflexão e fortalecimento desse corpo coletivo, sem baixar a cabeça”, afirmou o governador, defendendo que o desenvolvimento rural siga como prioridade estratégica para o estado, agora potencializado pela retomada do diálogo com o governo federal.
Já o secretário de Desenvolvimento Rural, Osni Cardoso, salientou que mais de três milhões de pessoas na Bahia trabalham com a agricultura familiar e há 13 anos não havia nenhum debate sobre o assunto a nível de Brasil. “Na Bahia estávamos mais aquecidos. Temos feito conferências nos 27 territórios e agora estamos na etapa estadual, debatendo tudo que foi feito neles para fazer um documento para o governador Jerônimo e ao mesmo tempo tirar um documento propositivo para afinar o debate sobre produção de alimentos saudáveis, que garanta o meio de viver e dê dignidade ao homem e a mulher do campo”, afirmou.
O objetivo desse documento a nível nacional é para que em 2027 haja políticas públicas a partir das experiências e daquilo que é o anseio dos agricultores familiares. “O documento é robusto. Foram 182 conferências municipais, mais 27 dos territórios e todos esses documentos estão aqui para produzirmos um documento final que irá para Brasília. São diversas ideias onde juntaremos os pensamentos para formar um só. Nossa prioridade é o acesso a água, terra, sementes crioulas para garantir produção e mercado”.
Jeandro Ribeiro é diretor-presidente da CAR e discursou na abertura do evento. Ele ressaltou a importância do evento pela luta de todos os povos envolvidos e conquistas dos últimos anos. “Quando o povo diz, em 2006, que quer mudar a sua história e elege Jaques Wagner, hoje senador, como governador, ele acaba criando em sua reforma administrativa, após o povo do campo lhe mandar uma carta aberta, a Superintendência da Agricultura Familiar. No começo ela tinha um orçamento de R$ 690 mil e hoje esses valores ultrapassam R$ 150 milhões São investimentos em assistência técnica, em regularização fundiária, por exemplo”, diz.
O diretor-presidente lembra ainda que, em 2014, quando Rui Costa assume o governo, ele encaminha para a Assembleia Legislativa a criação da Secretaria de Desenvolvimento Rural do Estado da Bahia, um ato que possibilitou que houvesse uma convenção de políticas públicas pela agricultura familiar. “Viemos ao longo dos últimos 19 anos celebrando conquistas. Temos um mapeamento que ultrapassa mais de 600 agroindústrias no estado da Bahia com algum tipo de apoio do estado. Hoje estamos discutindo com os supermercados a entrada dos produtos da agricultura familiar em suas redes em todo o estado”.
Para 2026, Jeandro promete várias entregas. “Começa a safra de vários editais agora, temos dois eventos chamando a atenção para os povos originários. Esses editais somam R$ 25 milhões os dois que geram oportunidades. Tem também outros cinco novos editais na casa de R$ 100 milhões em investimentos. Agradeço ao governador Jerônimo por investir nessa área. Em 2024 foram R$ 530 milhões e fechamos 2025 com R$ 534 milhões para a CAR”.
A secretária de Educação do Estado, Rowenna Brito, salientou que o governador pediu, assim que ela assumiu a pasta, que deveria ampliar a aquisição da alimentação escolar com a agricultura familiar. Ela disse ainda estar insistindo todos os dias nisso, mesmo com grandes desafios na área da educação pública.
“Tomamos uma decisão, orientados pelo governador, de fazer uma chamada pública centralizada da agricultura. Adquirimos seis gêneros alimentícios para nossas escolas, mais de R$ 34 milhões investidos, para três territórios de identidade. Precisamos avançar mais e chegaremos aos 27 territórios de identidade, nos 417 municípios e em todas as nossas escolas estaduais, diversificando os itens para alimentação escolar, garantindo segurança alimentar e nutricional. Para muitos estudantes, a única alimentação que fazem é em nossas escolas”.
A Bahia tem ainda mais de 500 estudantes com notas acima de 900 pontos no Enem. “Notas que nos dão orgulho e para o que estamos fazemos”.
Silvaney Araújo, secretário de Agricultura e Recursos Hídricos de Feira de Santana, também presente no evento, destacou a importância do mesmo para toda a Bahia. “Essa conferência é uma oportunidade de discutirmos o que está dando certo e o que está dando errado para a cada dia fortalecermos essa atividade tão importante para a nossa sobrevivência”.
Feira de Santana contribuirá com suas experiências porque é o local de maior comercialização de agricultura familiar, tanto no comércio direto quanto em seu abastecimento. “Temos uma área agrícola muito forte, temos diversos sítios todos baseados na agricultura familiar. Estamos resgatando a vontade do feirense tem de trabalhar e produzir. Temos a vantagem de sermos um centro consumidor e por isso estamos buscando fortalecer a agricultura familiar, as agroindústrias, com novas tecnologias, dando um abastecimento grande de água, fazendo as casas de farinha ficarem ativas”.
Se espera ainda que chova muito no primeiro semestre para ajudar na produção. “Estamos pensando ainda na distribuição de sementes, os tratores e aos poucos estamos construindo a nossa agricultura porque somos um grande seleiro de produção e de abastecimento”.